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PROTEÇÃO PASSIVA CONTRA
FOGO EM ESTRUTURAS METÁLICAS
Este artigo aborda os conceitos
técnicos básicos da proteção passiva contra fogo de estruturas metálicas, como está
a normalização sobre o assunto no Brasil, quais materiais estão disponíveis no mercado
brasileiro para a proteção de estruturas, suas características e a aplicabilidade de
cada sistema em nossas edificações.
1. INTRODUÇÃO
Ao contrário da proteção ativa que visa extinguir o incêndio, os
objetivos básicos da proteção passiva são a compartimentação e o confinamento do
sinistro, evitando sua propagação e mantendo a estabilidade estrutural do edifício por
um tempo determinado.
De uma forma genérica, os elementos estruturais em aço perdem
cerca de 50% de sua resistência mecânica quando aquecidos a uma temperatura em torno de
550ºC, conforme ilustra o gráfico abaixo. Este valor é conhecido como temperatura
crítica do elemento estrutural, e pode ser calculado com maior precisão seguindo os
procedimentos da NBR 14323 Dimensionamento de Estruturas de Aço de Edifícios em
Situações de Incêndio.

2.
DIMENSIONAMENTO DA PROTEÇÃO CONTRA FOGO EM ESTRUTURAS METÁLICAS
Para o dimensionamento da espessura do material de proteção das
estruturas, é necessário analisar dois parâmetros:
2.1. o tempo de resistência requerido
ao fogo (TRRF): este parâmetro normalmente é determinado por uma
legislação local ou através de normalizações pertinentes. No Brasil, o TRRF
normalmente situa-se entre 30 minutos e 2 horas. Nos EUA, Europa e Japão os requisitos
são mais rigorosos, atingindo-se até 4 horas.
As regulamentações, normas ou análises técnicas que
definem os tempos de proteção para cada tipo de edificação levam em consideração
vários aspectos, tais como:
utilização da edificação (escola,
escritório, hospital, shopping center, etc.);
altura e área construída da edificação;
compartimentação existente e outros
sistemas de proteção complementares;
Carga Combustível e Taxa de Ventilação.
2.2. o Fator de Forma (u/A) de cada
elemento estrutural: o Fator de Forma (ou Fator de Massividade) representa a
resistência de um determinado perfil metálico em uma situação de incêndio. Dois
fatores influenciam o comportamento de uma estrutura sob a ação do fogo e o Fator de
Forma é o resultado de sua relação matemática:
a) Perímetro de Penetração de Energia "u" (exposição do perfil ao fogo)
- quanto maior for a exposição ao fogo (e a incidência de energia térmica no aço),
mais rapidamente a estrutura irá se aquecer e, conseqüentemente, atingir o estado de
falência;
b) Área da seção reta "A"
(massa do perfil) - a área da seção reta (transversal) do perfil está
diretamente relacionada com sua massa. Assim, quanto maior a área da seção (ou sua
massa), mais tempo o perfil irá levar para ser aquecido e atingir a temperatura crítica.
Na tabela 3 da NBR 14323 Dimensionamento de
Estruturas de Aço de Edifícios em Situações de Incêndio podem ser encontradas
diversas fórmulas para o dimensionamento do Fator de Massividade de elementos
estruturais.
Dimensionamento da Proteção
Existem dois métodos para calcular qual a espessura
adequada do material de proteção:
a) a forma mais simples de cálculo é utilizar
os resultados de ensaios reais de resistência ao fogo, fornecidos pelo fabricante na
forma de uma carta de cobertura, onde as espessuras de proteção são facilmente
determinadas;
b) pode-se calcular analiticamente, com base em
dados dos materiais como densidade, condutividade térmica e calor específico. Esta
metodologia é acurada, porém possui limitações, sobretudo quando os materiais sofrem
mudanças físicas durante o incêndio, como é o caso de tintas intumescentes ou alguns
materiais projetados que possuem fluídos cristalizados em sua composição.
3. NORMALIZAÇÃO
As normas da ABNT que abordam o tema são:
NBR 14323/99 - Dimensionamento de Estruturas de Aço de
Edifícios em Situação de Incêndio: através desta norma, editada em julho de 1999 e
baseado no Eurocode, é possível realizar cálculos que permitem determinar quando
ocorrerá a falência da estrutura, permitindo assim um cálculo mais realista da
necessidade e do rigor da proteção;
Exigências de Resistência ao Fogo dos Elementos Construtivos
das Edificações (Projeto 24:301.06-002/99): este projeto de norma tem previsão de
edição para final de 1999 ou início de 2000 e aborda principalmente os tempos de
proteção necessários para cada tipo de edificação.
Outras normas, legislações e regulamentações estaduais que
abordam este tema (como a C.B.I.T. 08 contida no Decreto Lei nº 46.076 de 2001 do Estado
de São Paulo), são, em geral, baseadas nos documentos mencionados.
4. MÉTODOS E MATERIAIS PARA PROTEÇÃO DE ESTRUTURAS
METÁLICAS
Existem diversas formas de proteção de estruturas metálicas,
tais como recobrimento com alvenaria, concretos ou blocos celulares e a aplicação de
materiais específicos. Os métodos mais racionais para a proteção são materiais
desenvolvidos especificamente para esta finalidade.
No exterior, a evolução, a adequação dos produtos e a
competitividade dos fabricantes destes materiais geraram produtos extremamente eficazes,
com custos coerentes com as necessidades do mercado. No Brasil, somente a partir de 1997
observou-se uma evolução significativa neste campo, com a chegada dos maiores
fabricantes mundiais de produtos para proteção passiva para estruturas metálicas
(Isolatek International e Grace Construction). Estes e outros fabricantes desenvolveram
produtos específicos para as mais variadas situações e a consulta a empresas idôneas
responsáveis pela correta quantificação e aplicação dos materiais é fundamental para
a perfeita relação entre materiais mais adequados e situação de proteção
(eficiência do sistema).
4.1. Características x Custo
De uma forma geral, quanto maior o requinte
estético e a resistência mecânica do material de proteção, maior o seu custo. Da
mesma forma, os materiais mais rústicos e de resistência mecânica inferior são os mais
baratos. Os principais materiais utilizados são listados abaixo, por ordem decrescente de
custo:
tintas intumescentes;
concreto vermiculítico;
placas rígidas;
mantas de fibra cerâmica.
materiais projetados (argamassas secas e
úmidas).
4.2. Materiais de proteção
4.2.1.
Materiais Projetados
menor custo,
dentre todos os sistemas;
maior velocidade
de aplicação;
requerem limpeza
após aplicação e controle de espessura na obra;
desenvolvidos
especificamente para a proteção de estruturas.
Os materiais
projetados (ex.: argamassas úmidas como o Cafco 300 Refrasol/Isolatek) são os mais
utilizados mundialmente para a proteção de estruturas metálicas, sendo especificados
para a proteção dos maiores prédios do mundo. A introdução destes tipos de materiais
no Brasil foi a maior responsável pela queda dos preços da proteção de estruturas
metálicas. Estes materiais, desenvolvidos, em sua maioria, para áreas internas e
abrigadas de intemperismos, reduzem significativamente prazos e custos de aplicação da
proteção passiva contra fogo.
4.2.2.
Mantas de fibra cerâmica e painéis de lã de rocha
ideais para
edificações em funcionamento;
fornecidos
prontos para instalação, necessitam de pinos de ancoragem para fixação;
aplicação
limpa, sem controle de espessura na obra;
alguns tipos de
acabamentos disponíveis, sempre com baixa resistência mecânica.
4.2.3.
Tintas intumescentes
boas opções (comercialmente,
devido ao preço do material), principalmente até 60 minutos de proteção;
excelente
acabamento visual;
necessidade de
mão de obra muito especializada;
requerem
controle rigoroso de espessura (300µm a 6mm), condições climáticas e prazos entre as
demãos e acabamento;
podem permanecer
expostos, tendo excelente resistência mecânica.
4.2.4.
Placas rígidas
acabamento
similar às placas de gesso acartonado;
permitem
acabamento e pintura;
boa resistência
mecânica;
ideais para
colunas aparentes, com tempo de proteção entre 90 e 120 minutos.
4.2.5.
Argamassas à base de vermiculita
ideais para
áreas industriais e equipamentos, com testes para petroquímica;
aplicação
lenta, requerendo elementos de ancoragem e limpeza posterior à aplicação;
podem permanecer
expostos e suportam intemperismos.
4.3.
Comparação de custos

4.4. Evolução dos
custos da proteção de estruturas

4.5. A
escolha do material
Finalmente, para a correta escolha do material
de proteção, deve-se levar em consideração diversos aspectos além de uma simples
comparação de custos. Os mais importantes são:
aparência, em função da necessidade
ou não de requinte estético;
resistência mecânica (especialmente em
garagens, sistemas de retorno de ar condicionado, áreas de produção industrial, etc.);
resistência a intemperismos para elementos
externos ou expostos;
requisitos dimensionais (interferências,
espaços possíveis para ocupação, etc.);
período da obra (limpeza necessária,
viabilidade de soldagem de ancoragens, etc.);
procedência, testes e locais onde os
materiais tenham sido aplicados;
velocidade de aplicação;
capacitação técnica da empresa escolhida e
dos funcionários;
custo.
Autores: José Carlos
de Almeida Camargo é Diretor e José Carlos de Almeida Camargo Jr. é Gerente de
Operações da Refrasol Comercial Internacional Ltda., empresa especializada na
aplicação de sistemas para proteção contra fogo de estruturas metálicas e que mantém
parcerias com as maiores empresas mundiais de proteção de estruturas metálicas. A
Refrasol é aplicadora oficial da Isolatek International e é a empresa com maior área de
proteção passiva aplicada no país. Para maiores informações, entrar em contato
através do site www.refrasol. com.br ou pelo e-mail engenharia@refrasol.com.br.
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